Sanália Elba

Vitalina: as belezas do artesãos do sertão brasileiro

Por Nádia Mello

A Vitalina surgiu por causa do presente do Rodrigo Cavalcanti à namorada (e futura sócia) Carol Dreyer. Em um par de sandálias, perceberam a riqueza do trabalho de artesãos do sertão e se viram na missão de levar a cultura e produtos para o máximo de pessoas que poderiam. Assim, nasceu a marca de Recife. 

Em uma conversa com a Carol, ela nos contou como foi todo esse processo, a relação que possuem com os artesãos e os planos para a Vitalina. Confira! 😉

Carol Dreyer e Rodrigo Cavalcanti– Como surgiu a Vitalina?

De uma forma bem despretensiosa. O Rodrigo, um dos sócios, é meu namorado e é de uma cidade do interior, Gravatá – fica uma hora de Recife –, e me deu uma sandália de presente feita por um artesão do sertão. Veio a ideia de vender essa arte em outras cidades próximas ou grupos de Facebook. Com o tempo, apareceram pessoas interessadas. Em um mês de redes sociais, já tínhamos mais de mil seguidores e, em seis meses, decidimos sair dos nossos empregos para dedicar o tempo integral a este projeto. Em nove meses, conseguimos nosso primeiro espaço. Hoje, estamos na casa 57, local de economia criativa de diversos segmentos.

Bolsa Carteiro– Como é o processo para conseguir as sandálias? Possuem algum combinado com artesãos sobre a produção?

Toda quinta-feira viajamos para pegar as encomendas e fazemos as próximas. Atualmente, já possuímos um laço de relacionamento com eles e fazemos os pedidos com pequenas intervenções na criação porque, em Recife, eles preferem um visual mais limpo. Nós interferimos pouco, mantendo o estilo de cada um, apenas para adequar mais ao gosto mesmo do público daqui.

Mas, foi uma construção isso.

No início, nós tínhamos receio de intervir e eles também tinham uma desconfiança, um bloqueio. Mas, como toda semana os visitamos, conhecemos suas casas, famílias, criamos uma relação afetiva. Um deles fazia apenas um modelo de sandália, há 19 anos, só marrom, mas fizemos uma proposta de usar outras cores. Hoje, ele produz mais coloridos e são os que mais vendem. Antes, vendia só no São João e, atualmente, são vendas no ano todo.

Coralina– Quanto tempo é a produção e todo esse processo?

A produção é mais lenta e varia de artesão para artesão porque é um trabalho feito sozinho e a maioria deles é mais velha, uma base de 70 anos. Eles não têm muita paciência para ensinar. Acho que a média é de 12 pares por seis dias. Nós damos um prazo de 20 dias do pedido a entrega porque temos a preocupação de não acelerar o processo do artesão, mas também não deixar o cliente numa espera tão grande.

Como o processo é todo manual, é normal demorar um pouco mais. Contamos com 13 artesãos de sete cidades diferentes. Tem quem faça 10 pares por dia, num total, mas, em geral, o processo é em separado. Um dia para fazer todos os cortes, um dia para pintar, um dia para montar e assim vai.

Franciscana Amarela– Quais os planos da Vitalina?

Nós queremos disseminar nossa cultura e da produção manual, atingir mais pessoas. Nosso próximo passo é humanizar, mostrar quem está por trás de quem faz cada sandália. Outro plano é fazer parcerias para exportação.

– Quais as maiores dificuldades?

Sem dúvida, é fazer o cliente entender a espera de 20 dias. A geração atual quer tudo de imediato. Então, precisamos ensinar esse entendimento do processo manual, do tempo para ser produzido. São 20 dias para quem é de Recife e para quem é de fora, incluímos, o tempo do correio.

Sandália Bela– Possuem projetos futuros?

Não é futuro, é um projeto que está acontecendo agora: o Vitalina Casa. Desde o início, já tínhamos pequenos objetos de decoração, feito por marceneiros. Mas a demanda foi aumentando e por outros móveis. Com o tempo, encaramos como um desafio e agora já fazemos móveis sob medida de acordo com a necessidade de cada cliente. O Rodrigo, que é arquiteto, toma mais à frente na elaboração dos projetos e mão-na-massa e nossa intenção é humanizar a marcenaria.

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