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Transformação para moda circular

A ES-Fashion é um projeto das sócias Alice Beyer Schuch e Tania Gengo desenvolvido, de modo a participarem das transformações da moda. Voltado para consultorias, cursos e pesquisas sobre como aplicar os conceitos de moda circular na indústria da moda. Interessou e quer saber um pouco mais sobre como é isso?

Nós também ficamos e conversamos com a Alice. Boa leitura! 😉

Entrevista Alice (ES-Fashion)

  • O que é e como começou?

Eu trabalho com moda há 15 anos e a Tania, há mais de 10. Por dois anos trabalhei na China, e lá vi de perto a problemática da produção. Foi lá, por sinal, que eu e a Tania nos conhecemos…  A gente fica sabendo de algumas coisas, mas ver de perto torna a proporção maior. Então comecei a procurar uma alternativa para uma moda melhor e vim fazer metrado em Berlim sobre moda sustentável. E numa conversa com a Tania no final de 2015 sobre o que poderíamos fazer, percebemos que muito mais que um produto de moda, havia a necessidade de informação e suporte sobre o assunto. Foi assim que surgiu a ES-Fashion, nós unimos a informação de moda sustentável e circular para indústria, e educação para os consumidores (mais consciência na hora da compra) através de palestra, workshop, consultoria e curso online.

No Brasil, esse processo ainda está no começo. Tem marcas alemãs que já estão trabalhando há 40 anos pensando no desenvolvimento de tecnologias para uma moda mais sustentável. E, além disso, aqui temos ajuda do governo (que possui um conselho que fiscalizam as empresas e suas práticas sustentáveis), o consumidor também cobra e tem grupos como Greenpeace fazendo pressão para empresas mudarem. É pressão de todos os lados.

  • O que é a moda circular?

A moda circular é responsável eticamente e com produção sustentável e que pensa na circulação de produtos. É como a moda responsável e sustentável com os valores da economia circular. A economia circular se preocupa com o que estamos colocando (produto) + o que causa (forma de produção) + comercialização (pensando no maior tempo de vida útil).

  • Como você vê a moda atual?

Terrível. Somos responsáveis por 3% da emissão de gás carbônico no mundo. Só uma indústria. Sem falar que ela é a segunda mais poluente, perdendo apenas para a petrolífera (sendo que ainda utilizamos a petrolífera para a confecção do poliéster, por exemplo). O progresso, pós Revolução Industrial foi catastrófico, mal mensurado, a evolução se deu para um lado não bom. Sem propriedade quando uma classe média cresce muito dentro de uma cultura de status. Todo mundo, e principalmente o consumidor, precisa fazer a diferença.

É preciso educação e informação. Quando vim fazer o mestrado e mostrei ao meu pai, ele me respondeu que era muito bonito, mas utópico. Vejo, no entanto, que tem se trabalhado cada vez mais para a moda sustentável. Estão fazendo estudos em como fazer a separação das peças para reciclagem através de um maquinário pra isso, porque atualmente é feita manualmente, e com a conscientização há o aumento da demanda e as pessoas não darão conta, então, estão estudando o maquinário certo para separar corretamente por material.

  • Como você vê o futuro da moda?

A moda sustentável vai ser somente moda. Por enquanto, ainda é um nicho de mercado, mas cada vez mais, vai ser democrático. Estamos caminhando para todo o processo ser sustentável e, logo (o meu logo é 20, 30 anos, ta?), já teremos isso. Naturalmente, o modelo atual será substituído pelo sustentável.

  • Devido a tantas problemáticas, o que te leva a ainda trabalhar com moda?

A moda é a expressão de uma personalidade em forma de roupa, acredito nisso. E tem essa questão no como desenvolver o estilo (algo exclusivo seu) e fazer parte de algo universal. Além disso, tem um desafio pessoal. Eu gosto muito da técnica e como fazer e fui buscando e crescendo procurando isso até me deparar com todas as problemáticas. Então, é o desafio de falar não quero fazer parte da moda dessa forma, mas quero estar na mudança e pensar como ela será feito e trabalhar para isso. E, tem também uma herança genética. Aprendi a costurar com sete anos porque minha avó e mãe costuram para fora (marcas).

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