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Recikle: ecológica e sustentável para um mundo melhor

Por Nádia Mello.

_DSC5969bConheci a Recikle no início deste ano. Uma amiga me chamou para o evento da marca que tinha como objetivo pensar a criação de forma colaborativa. Foram atividades que ativavam nosso olhar para o outro de forma empática e compreensiva.

Não se tratava de pensar a peça em si, era mais focado para o trabalho conjunto. Eles nos mostraram como somos diferentes (gostos, valores, características) – e precisamos falar sobre isso – e também iguais (humanos).

A marca produz camisetas feitas de garrafas Pet recicladas, com estampas de tinta ecológica, por costureiras e mulheres de comunidades. Mas o que eles querem mesmo é mostrar que podemos mudar com pequenas atitudes consciente e sustentáveis e de maneira simples e agradável podemos ajudar o meio ambiente e a sociedade em que vivemos buscando mais estilo, conforto e qualidade.

Quer saber mais? Confira nossa entrevista com o Rafael Felsemburg! 😉

Em fevereiro de 2013, meu filho Miguel nasceu. Isso me fez questionar minha vida, meus objetivos, valores. Apesar dele ter sido planejado, só após seu nascimento, eu realmente tive a percepção de que era pai e o que isso significava – toda responsabilidade.

Trabalhei 10, 11 anos em banco, com projetos de tecnologia e me vi dentro de um contexto que não era o mundo que desejava para meu filho. Decidi buscar outro caminho e, após um tempo, concluí que minha vontade era empreender porque era a melhor forma de estar aliado aos meus objetivos e valores.

Nesta época, um amigo meu do Banco, também chamado Rafael, estava na mesma insatisfação e juntos pesquisamos oportunidades de negócios. Tínhamos dois pontos a serem considerados: um investimento pequeno⁄médio e que fosse em algo simples de aprender. A estamparia de camisetas foi o que mais nos agradou. Como queríamos causar o menor impacto ambiental possível, pesquisamos por tecidos ecológicos e começamos nosso modelo de negócio.

No final de 2013, a ideia da Recikle já existia. Saí do banco em novembro para focar na marca e fazer dela a minha prioridade, mas o Rafael não pode me acompanhar. No ano seguinte, foi o ano da aprendizagem. Estava sozinho e fiz muitos cursos, tanto para saber mais do negócio quanto de autoconhecimento.

Em novembro de 2014, abri a Recikle “sozinho” – apenas eu como sócio, mas muitas pessoas ajudaram para isso. Foram vários erros e acertos. O principal acerto foi conhecer a Ecotece porque possibilitou conhecer as meninas dos Ateliês e trabalhar não apenas com impacto ambiental, como o social, ampliando o negócio.

Em 2015, eu estava perdido – havia me separado e meu filho foi morar longe – e começando a estruturar a marca. Participei do Flowmakers, um programa para jovens empreendedores a partir do autoconhecimento. Foram cinco meses fundamentais porque me permitiram me reestruturar não apenas com a Recikle, mas como ser humano.

Neste tempo, a grana acabou. Me juntei a quatro amigos numa agência de publicidade. Foi o que possibilitou levantar a Recikle. Ganhei um treinamento de uma parceria do governo da Inglaterra com o Brasil, na Unibes, fiquei em terceiro lugar no Baanko Challenge e em primeiro no Movimento Choise. Além disso, participei de feiras e eventos. Tudo isso com a ajuda do meu primo e pessoas próximas.

_DSC5987bNo ano de 2016, achei que precisava de um sócio e comecei a buscar, mas percebi que não estava aberto realmente a isso. No final do ano, num jantar com amigo, ele me falou que sua namorada gostava da ideia da Recikle e conversamos sobre essa questão da sociedade. Uma semana depois, a Bárbara me ligou, combinamos de nos encontrar e foi ótimo. Como estava com viagem marcada para encontrar meu filho, falei para decidirmos quando voltasse. Mas, no meio da viagem, a Ba disse que queria entrar de cabeça na marca.

Com ela, repensamos e reconstruímos para que fosse um negócio dos dois, tudo aberto. Neste tempo, o Rafa (do banco) me procurou para voltar. E, em menos de um mês, a Recikle passou a ter três sócios. Foi fundamental pela força de trabalho. O Rafa é criativo e tem muitas ideias (viaja), a Ba é metódica, gosta da organização, tem raciocínio lógico e eu era o meio do caminho dos dois. Esse arranjo durou seis, sete meses, quando o Rafa saiu porque não consegui conciliar com o trabalho de TI, mas ele ainda dá opinião e palpite.

Este ano foi importante porque nosso foco foi atacado e conseguimos estruturá-lo. No mês passado, abrimos nosso e-commerce. E, agora, em dezembro, vamos lançar uma coleção em parceria com o Banco de Tecidos – todas as peças são exclusivas – já estarão nas feiras e eventos agora, mas no site deve lançar só no final mesmo ou início do próximo.

  • O que vocês querem com a Recikle?

Nosso sonho grande é conectar empresas, coletivos, artistas, todo mundo. Todo o processo de produção com valor agregado. As conexões já fazem parte da marca, por exemplo, nas estampas e produção do tecido. Queremos aumentar nosso impacto social com isso, já temos alguns projetos escritos e idealizados. É isso, oferecer produto 100% brasileiro, que mostra a nossa cultura, valorizando-a.

E que o reconhecimento da marca possa ser consequência disso.

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  • Vocês trabalham muito com parcerias. Quais são os parceiros atuais?

Os Ateliês, já criamos um vínculo forte; o pessoal da estamparia, trabalham com sublimação (é a mais ecológica) e um pouco com silk (a tinta é a base de água); os fornecedores de tecidos; artistas, desenvolvem algumas das estampas, e marcas que ajudamos a se estruturarem como a Camarim Pop.

  • Quais são as maiores dificuldades?

É o preconceito com o material (produto reciclado de garrafa Pet). Falta informação, consideram artesanato, tem resistência.

Nos eventos que participamos, vemos as mais diferentes reações: tem quem desconfie, quem cheira a camiseta.

Sabemos que o nosso tecido não é a melhor solução porque ainda tem impacto negativo, mas estudos de universidades têm mostrado que o algodão orgânico e os tecidos de garrafa Pet são as melhores opções atualmente. No Brasil, apenas 60% das garrafas são recicladas ao ano. Queremos mostrar que reciclar é possível, fazer essa conscientização e o real valor das nossas camisetas. Aqui, o mercado ainda tem muito discurso falso e isso contribui para toda falta de informação e desconfiança por parte dos consumidores.

Esse é novo principal desafio.

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  • E o que podemos esperar em 2018?

Uma nova forma de compra, o crowdshirt. Uma dificuldade do atacado é que as pequenas empresas acabam não tendo oportunidade porque nem sempre podem comprar o lote (50 peças). Então, vamos lançar a possibilidade de um lote em que várias empresas possam comprar um lote juntas – abriremos a possibilidade de compra e cada uma coloca a quantidade desejada, quando chegar a 50 peças, iremos produzir. Nossa ideia é também disponibilizar para o varejo e ter um processo de compra unificado.

  • Por fim, contou que vai participar de algumas feiras e eventos neste mês. Quais são eles?

No próximo domingo, estaremos no Bazar Ógente, no sábado dia 16, na Join Makers e no domingo, dia 17, rola a Feira vegana de Natal JMA.

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