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Por que moda sustentável?

Por Alice Beyer Schuch

Às vezes eu paro e me pergunto: por que, afinal, eu escolhi moda sustentável?

E a resposta me vem à mente tão clara e transparente como a água de todos os rios deveria ser – aqueles rios que vi durante minhas muitas viagens pelo mundo, à serviço da moda, caçando as fábricas mais baratas, para suprir um sistema vicioso com produtos descartáveis que não custavam mais que alguns reais, mas custavam (e ainda custam) vidas ameaçam descaradamente o meio-ambiente.

“Por muito tempo tivemos à disposição o all-you-can-wear buffet, agora é hora de decidir o que realmente reflete e representa o nosso próprio ser” (David Rostron).

Minha decisão em abandonar a moda convencional e enfrentar conscientemente uma batalha por uma moda mais justa e responsável não foi, definitivamente, baseada no racional. Não foi por que eu ouvi ou li sobre as incoerências da moda – da fibra, passando pelo processo e consumo, ao descarte. Não foi por que os números mostravam (e ainda mostram) um total descaso com o uso de nosso capital social ou natural!

Minha decisão foi liderada pelo coração, conectada com os sentimentos, a consciência, e a crença de que o que eu estava vivendo não deveria ser aceito. Foi depois de eu ter visto o suficiente e voltar para casa chorando compulsivamente, desejando não ter tido tais experiências, mas agradecida por ter a possibilidade de tê-las tido!

Por que eu vi rios completamente poluídos, que há tempos deixaram de ser fonte de vida. Eu vi montanhas de lixo em indústrias e nas ruas, com crianças brincando sobre elas, ou dormindo no chão de uma fábrica quente e suja sobre pedaços de papelão. Eu sentia o cheiro dos químicos no ar, o cheiro de descarte, de progresso superficial. Eu pude sentir o quão embaraçoso era para mim ser parte de um sistema onde pessoas não tinham outra opção senão enfrentar aquelas condições críticas para sobreviver. Ou seria “subviver”?

O fato é que eu poderia ter seguido meu caminho, indiferente à toda deterioração. Ou abrir meus olhos e tentar uma mudança! E é isso que tenho feito desde então, passo a passo, celebrando cada pequena vitória – seja a conversa com um amigo, um texto publicado, uma apresentação, uma roupa a mais reformada, trocada, não descartada, melhor escolhida.

Thomas Edison uma vez disse que a oportunidade é perdida por muitos por que na verdade ela vem vestida em macacões e se parece com trabalho. E eu me engajo e pergunto diariamente: o que mais posso fazer, eu, no meu cotidiano, na minha comunidade, no meu trabalho?  E tu? O que tu podes fazer?

“Um dia nós não iremos mais mencionar sustentável,nós vamos simplesmente dizer moda”

E eu acredito que Simone Cipriani, fundador da Ethical Fashion Initiative, tem toda razão. E por isso estou aqui, divulgando, instigando, oferecendo a possibilidade de um debate aberto e sincero sobre Moda Sustentável, Economia Circular, e suas múltiplas possibilidades, para pensarmos juntos o que pode ser feito!

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