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Pensata: os desafios da moda sustentável

Por Nádia Mello

A moda está passando por processos de mudança. A forma tradicional da indústria não se sustenta mais e a cada dia surgem novas marcas, iniciativas e ações para uma moda mais limpa, que respeite ao meio ambiente e às pessoas envolvidas no meio.

Para entender um pouco mais do que está acontecendo e os desafios para tal mudança, dividi a cadeia da moda em quatro pilares para colocas as problemáticas e desafios de cada um.

– Matéria-prima

É da natureza que retiramos as matérias-primas e fazemos as fibras. Embora, tenha a divisão de naturais (fonte animal ou vegetal) ou químicas (artificiais ou sintéticas), estas provêm da celulose da polpa da madeira (ou no línder do algodão) ou do petróleo, ou seja, também recursos naturais.

Por ser a primeira etapa e “acontecer” longe da maioria das pessoas (em geral, nas plantações e ambientes mais rurais), são os problemas mais difíceis de serem compreendidos e percebidos. Eles são: desde poluição de solos (por meio de agrotóxicos e inseticidas – que além do meio ambiente, leva doenças e até mesmo se relaciona a morte de muitos trabalhadores rurais); ao consumo dos recursos mais do que eles consigam se renovar.

São duas apostas principais para resolver os problemas advindos das matérias-primas: novas fibras naturais ou a tecnologia. Fibras desenvolvidas a partir de “restos” do abacaxi, banana, leite, entre outros, já são uma realidade. Bem como os tecidos tecnológicos, inteligentes, também conhecidos como wearables.

A grande questão é, por exemplo, o algodão orgânico já é uma realidade para muitas marcas, mas ele não consegue atender a demanda atual. Será que o maior desafio, então, não está em não apenas mudar a forma de obtenção para algo mais sustentável, mas entender que para uma moda sustentável é preciso diminuir também a nossa produção, começando pela matéria-prima?

– Produção

Talvez a parte com mais desafios para toda essa mudança porque é a mais problemática. Ao mesmo tempo, que temos uma proximidade maior, estamos distantes (isso considerando ambientes bem urbanos como capitais e metrópoles).

É da produção que vem grande parte da poluição da moda, principalmente, por conta dos beneficiamentos (como lavagens de jeans – uso de produtos químicos) e tingimentos. É também aqui a maior parte dos usos de recursos naturais, como a água – são necessários 2900 para uma camiseta de algodão e 11000 litros para uma calça jeans. A saída também tem sido por formas mais naturais, como os tingimentos, ou tecnologia. Os wearables, por exemplo, são produzidos a partir da nanotecnologia.

Outra questão bem crítica é porque são nas fábricas que encontramos a maior parte da mão-de-obra escrava flagrada na moda.

O verdadeiro desafio é como a produção pode ser sustentável, com respeito aos seres humanos e acessível? Parece que os desafios aqui são maiores porque ainda não encontramos uma resposta que seja válida para todos os apontamentos feitos anteriormente.

– Consumo

Atualmente, uma família americana consome 400% mais do que há 30 anos. Será que precisamos mesmo de todo esse consumo? Essa etapa talvez seja uma das mais relevantes para toda a nossa mudança. Talvez seja através da adoção de outros hábitos, como menos consumo, que possamos afetar as etapas anteriores por buscas de suas melhorias. É aqui que temos nosso maior poder enquanto consumidores.

E o desafio é mostrar que os reflexos de um consumo desenfreado para a possibilidade de abertura e crença de que é possível fazer diferente. De que não se precisa de uma peça nova a cada dia.

– Pós-consumo

Aqui, o desafio é muito a falta de desinteresse (por parte de empresas e órgãos públicos, principalmente) e consciência (das pessoas). A maior solução para aquela peça que não usa mais é: jogar fora ou doar. Mas pode ser que não seja a melhor solução, dependendo da forma como faz.

Primeiro, temos de considerar, a falta de informação. Por exemplo, sabia que por lei é proibido jogar roupa em nosso lixo normal? Mas, e aí o que fazemos e quando temos aquelas peças que não podem ser doadas porque não tem mais uso mesmo?

Para aqui, muito além das doações, a principal solução é o upcycling e a reciclagem – embora essa ainda precise ser mais desenvolvida porque é bem restrita a fios de algodão puros.

Enfim, embora já estejamos desenhando soluções para alguns dos problemas da indústria da moda atual, efetivamente, só teremos resultados expressivos quando essas soluções forem ligadas (ou interligadas entre si). Enquanto isso, não acontece, talvez esse seja nosso maior desafio: pensar na indústria como um todo e relacionar todas as soluções que conseguirmos.

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