Propósito

Pensata: O que é a moda com propósito?

Por Nádia Mello

Ano passado, André Carvalhal lançou seu segundo livro, Moda com Propósito: Manifesto pela Grande Virada, expondo uma temática que já havia iniciado no “mundo da moda”. Há dois anos, a pesquisadora de tendências Li Edelkoort apresentou o manifesto antifashion decretando o fim da moda como a conhecemos e é essa “morte” que Carvalhal escolheu para começar o livro falando de propósito.

Mas o que é esse propósito?

Bom, é significado.

A efemeridade da moda, entre outras coisas, contribuiu para um consumismo desenfreado em que consumimos de forma automática, não sabemos porque e⁄ou para que são feitas as nossas compras. O que, antes, já foi um meio passou a se tornar um fim.

É por isso que vemos tantas pessoas e movimentos em busca de algo a mais. Os valores que funcionaram até então, já não nos fazem sentido. Consumir por consumir? Para ter mais? Para parecer ter mais do que tenho?

E é todo esse movimento que também está sendo retratado na moda. Para quem fez moda, como eu, já há alguns anos (talvez desde meados da primeira década dos anos 2000), escuto sobre como falta criatividade ou uma ideia de que já vimos o que está sendo usado e é também sobre isso que se trata.

Questionamentos sobre tudo. Desde a matéria-prima ao produto final, passando pela produção. De que forma? Por que? Para que? Por quem? O que?

Foi, principalmente, a partir da década de 80, que o consumo se intensificou e começa a se tornar desenfreado. Dentro do contexto história, é nessa época que a geração chamada baby-boomers precisa se inserir no mercado de trabalho e pensar no futuro. Marcados por períodos de revolução e guerras, um emprego seguro, casa e carro era sinal não só de status, mas do que era necessário naquele momento para enxergar uma vida a longo prazo.

Com os avanços tecnológicos, os desejos vão se ampliando, ao mesmo tempo, em que indústrias e mercados conseguem “satisfazê-los” mais rapidamente. Com isso, não bastava apenas ter, era preciso melhorá-los constantemente para se ver em uma situação “segura” de vida.

Essa rapidez que a tecnologia nos trouxe, nos colocou em um ritmo acelerado, funcionando quase no automático. E quanto mais no automático, mais afastamento da consciência do que estamos fazendo e seus porquês. Porém, esse tipo de vida começou a falhar porque somos humanos e não é do nosso natural viver nesse automático que nos foi “imposto” por nós mesmos.

E é essa a busca por propósito e significado das coisas.

Na moda, buscamos pelo significado das roupas. Do por que é feita, de que, como, para que. Moda com propósito é, então, esta que nos enche de sentido e consciência: ambiental, social, cultural. Moda com propósito é aquela que nos faz entender e perceber que somos parte de um todo e se usarmos agrotóxico em um pedaço de terra, conseguimos afetar até mesmo o outro lado do mundo, como diz o efeito borboleta. Ou seja, é aquela que nos faz nos responsabilizar pelo que criamos.

Desguarda Roupa

Eu e a Bruna demoramos um pouco para atendermos qual era o nosso propósito com o Desguarda Roupa. Confundíamos com os nossos objetivos. Foi em junho, na semana do Programa Unibes Lab – Capitalismo Consciente, é que conseguimos identificar nosso propósito. E, assim como o pessoal, a resposta é muito mais de dentro. Porque ela tem a ver com os seus valores e o mundo que gostaria de criar. 

Qual mundo gostaria de criar? O que é importante para você? O que você quer construir? É a partir daí que vamos descobrindo o nosso propósito e também identificando o dos outros -, o do Desguarda é ressignificar a visão e relação que temos com a moda. E, sempre bom lembrar, que nesses momentos de descobertas é preciso paciência com erros. 😉

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