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O Desguarda Roupa pelo nosso olhar!

Por Nádia Mello.

Como falamos ontem, estamos voltando com o blog e achamos que também seria bom perceber e mostrar a vocês o que mudou neste tempo para nós, do Desguarda.

Recorremos a entrevistas que fizemos anteriormente uma com a outra e voltamos a responder as mesmas perguntas, dessa vez juntas, para revelar o que mudou nesse tempo! 😊

Esperamos que gostem!

– Qual o objetivo com o Desguarda?

Nádia: Nosso objetivo é que as pessoas possam mudar as relações delas, transformar as relações com a roupa, a moda, o consumo.

Bruna: A moda tá no dia a dia, no cotidiano das pessoas. Muita gente se vê longe dessa realidade. Então, a gente quer tentar aproximar para elas verem que elas são responsáveis também por tudo o que acontece dentro da indústria.

– Quais as maiores dificuldades encontradas dentro do processo?

Nádia: São muitas. Uma é a questão de parcerias.

Bruna: As pessoas querem mudar, mas a lógica tradicional ainda tá muito enraizada.

Nádia: E às vezes, elas nem percebem. Além disso, como esse processo começou com movimentos individuais, é muita coisa para uma pessoa só, cuidar de um negócio e fazer parceria.

Bruna: É, o movimento ainda está segregado. Está começando a se juntar agora. E acho que também tem a dificuldade de atingir o público porque acaba mexendo na questão financeira das pessoas. É difícil as pessoas quererem mudar o hábito quando envolve dinheiro.

Nádia: O dinheiro é um tema delicado, sempre quando entra nessa parte.. Porque, muitas vezes, a gente recebe elogios pelo trabalho que fazemos, mas quando chega o momento de pagar, nem sempre estão dispostos.

Bruna: E junto a isso, tem todos os problemas sociais do país que contribuem com essas escolhas.

Nádia: Muitas vezes, as pessoas que gostariam de comprar de forma a valorizar os processos e trabalhadores não conseguem porque não podem. E, às vezes, quem pode acaba não fazendo.

– Como enxergam o cenário atual da moda? E como o Desguarda Roupa contribui no cenário de transição?

Bruna: Eu acho que as coisas estão mudando. Ainda existe a coisa tradicional, mas eu acho que as pessoas estão mudando. Um período muito efervescente da sociedade e o consumo é muito importante, é uma pauta desses novos movimentos que vem surgindo. Acredito que o Desguarda contribui quando a gente começa a mostrar que todo mundo é envolvido com a moda, mais do que imagina. Quando a gente mostra que o acesso a moda pode ser para todo mundo e não só para uma pequena parcela.

Nádia: A gente também mostra que pode viver de outras formas. Não precisa ser só o ter, tem outros valores associados.

– Como vê o futuro da moda?

Nádia: Eu espero que o futuro da moda seja mais colaborativo.

Bruna: Mais colaborativo e mais consciente. Acho que as pessoas com um pouco mais de empatia, vão começar a repensar as lojas em que elas vão comprar, a forma como a peça foi feita, o que elas estão jogando fora.

Nádia: E que possam enxergar as pessoas de uma forma mais igual, do tipo, não importa onde a pessoa mora, ela é tão pessoa quanto você. Acho que a gente acredita nisso porque trabalhamos para isso, esperamos que nosso trabalho tenha resultados (rs).

– Como vê o futuro do Desguarda?

Bruna: Ele já está acontecendo e ele é muito bom.

Nádia: É o de propagar toda essa mentalidade, esse discurso. Mostrar como é possível a gente…

Bruna: Mudar e também respeitar quem tem o processo mais lento do que a gente gostaria.

Nádia: Sim, a transição trata-se de entender as pessoas, que elas são diferentes, tem tempos diferentes, jeitos diferentes e a gente aprender a lidar com essas diferenças de uma forma que seja legal, sem exigir do outro que ele seja outra coisa.

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