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Moda + Propósito = Amor!

Por Maria Brasil

Eu sempre amei moda. Confesso que nunca fui das mais antenadas, tudo bem. Mas eu sempre amei o quanto a nossa forma de vestir consegue expressar o que somos, a nossa essência. Como simples escolhas de cor, corte e estampas conseguem dizer tanta coisa sobre nossa personalidade, nossa forma de pensar e de ver o mundo. A moda – na sua essência – é capaz de inspirar, empoderar e trazer cor pro nosso dia. 

Mas como nada é tão perfeito, a moda também tem seu lado apodrecido. Muito além dos lendários assédios morais e complicadas relações interpessoais já conhecidas – como o retratado no filme “O Diabo veste Prada”, atualmente, com a ampliação do acesso do público às informações, evidenciam-se graves situações que permeiam este mercado tão gigante na economia mundial.

Condições degradantes de trabalho incompatíveis com a dignidade humana, caracterizadas pela violação de direitos fundamentais, que muitas vezes colocam em risco a saúde e a vida do trabalhador são constantemente encontradas nas fábricas de algumas das maiores marcas do mundo, sem falar nos altos impactos nocivos ao meio ambiente, a partir não só do descarte de resíduos, como também da própria produção em si, cujas matérias-primas e formas de fabricação muitas vezes vão totalmente de encontro a preceitos básicos da sustentabilidade.

Agora una a tudo isso o processo de expansão da consciência pela qual a humanidade vem passando. As novas formas de enxergar – e construir – o mundo, trazidas pelas mais novas gerações. A conexão com o meio ambiente, com a espiritualidade. A preocupação com as pessoas, com o futuro. Bingo! Temos então um prato cheio para começar, de algum modo, a transformação de todo esse contexto. Nascem daí as iniciativas voltadas ao social, à sustentabilidade e à preservação da dignidade humana. E o mercado da moda, que sempre lançou tendências, obviamente não podia ficar de fora dessa!

O movimento global Fashion Revolution é um exemplo disso. A Brasil Eco Fashion Week, que teve sua primeira edição em novembro de 2017 é um exemplo disso. Uma série de marcas que nascem com novas propostas, para quebrar paradigmas e contribuir para essa transformação também são exemplos disso. E eu, que sempre trabalhei com Branding a partir do propósito, também não poderia ficar de fora disso. Ver esse movimento acontecer foi como unir a fome à vontade de comer: e ainda por cima, sendo saudável e gostoso! 😃 

Construir uma marca de moda que nasce a partir de um propósito maior, que respeita o meio ambiente, que tem uma cadeia produtiva digna e humanizada, está sendo um dos processos mais deliciosos que já pude experienciar. Mas calma! Com isso, não quero dizer que está sendo fácil, ok? Nadar contra a corrente é beeeem complicado… mas vale muito a pena ao final do dia. 

Daí nasce a SouDessas. A minha marca de lingerie que tem como propósito maior desconstruir padrões para construir mulheres mais livres. Eco friendly, descolada e cheia de amor! ♥ 

E nesse quase um ano de planejamento e construção, já pude me frustrar bastante vendo quanta coisa feia existe por aí, mas também já me surpreendi com quanta gente incrível está fazendo de tudo pra melhorar esse cenário. Com pequenos passos e muita firmeza na caminhada, sigo, junto a minha “sóciamiga” Amanda, construindo um lindo berço pra que ela venha, já já cheia de força e carinho pra esse mundão.

Enquanto isso, observo, acompanho e apoio outras tantas marcas lindas nascerem e crescerem para a nova economia. 😉

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