Foto: Caetana Filmes

Jouer Couture: a descoberta do sustentável e da economia solidária

Por Nádia Mello

Foto: Caetana Filmes

Foto: Caetana Filmes

A Jouer Couture é uma das primeiras marcas sustentáveis que ouvi falar. Em 2016, participei do Off Fashion, uma roda de conversa que Ana Carolina de Olyveira e Mariana Bonfanti promoviam.

Elas se conheceram na faculdade, a Santa Marcelina e durante um tempo trabalham com a moda “tradicional”. Até não fazer mais sentido. E aí, surgiu a Jouer Couture, que já se ressignificou algumas vezes até encontrar seu caminho no consumo consciente, slow fashion, economia solidária…

A Carol e a Mari te contam o resto! 😉

  • Como surgiu a marca?

Há quatro anos. A Carol trabalhava na VR e eu em revista. Mas estávamos cansadas do ambiente corporativo do trabalho. Nesta época, ainda não havia chegado H&M e Forever 21 aqui. As nossas amigas compravam as roupas na gringa.

E nossa ideia era fazer essas roupas que elas compravam, trazer para o Brasil este tipo de roupa. Quando começamos, não pensamos na sustentabilidade, ela surgiu aos poucos a partir de questões que nos levaram.

  • Quais seriam essas questões?

Uma coleção nossa foi o divisor de águas. Fizemos, mas estávamos infelizes. Aquilo não fazia sentido. Nós usamos todo o planejamento e a metodologia da VR, pela experiência da Carol. Continuamos infelizes. E foi nosso bug assim. Ficamos um ano reformulando, ressignificando a marca.

Começamos retomando o processo criativo que aprendemos na faculdade e aí foi surgindo a ideia do slow, de se ter um significado. Todo o resto foi chegando, como a economia solidária.

Nós tivemos problemas com os nossos fornecedores, no sentido de que eles que nos pressionavam.

Passamos pela nossa segunda ressiginificação, com a Ong Design Possível. E neste momento, a sustentabilidade entrou com tudo. Procuramos pelo orgânico, novos caminhos. Desde então, estudamos muito e temos uma reciclagem constante.

  • Quais maiores desafios vocês tem?

Um deles é que como microempreendedoras, temos de estar sempre bem. A gente não pode ter um dia que acordou mal e não fazer as coisas.

Outro desafio é o saber se valorizar e isso ser refletido no preço. Ainda é um processo que dá medo do outro não aceitar, não pagar. O mais duro, para mim (Carol) é o comercial. Já teve feira que uma peça custava 90 reais e eu dizia que era 80. Até porque muitas pessoas associam as feiras a um mundo ainda meio hippie e esperam outros tipos de preços. Até que um dia nós abrimos os custos no blog.

O comercial é um grande desafio, nenhuma das duas tem aptidão para isso – somos muito de humanas. O marketing, por exemplo, rola de forma natural. Mas é um marketing de coração, verdadeiro, colocamos o que pensamos e é muito de feeling.

Outro desafio é a sustentabilidade na medida do possível. Por exemplo, muito legal a gente buscar outras formas de produção, mas a gente tem que vender. Temos metas a bater. A gente precisa fazer girar.

  • O que vocês querem com a marca?

Nós queremos informar e conscientizar as pessoas de que uma peça também é uma história. Poder ter essa voz e até de falar o quando de roupa cada um tem, mostrar outras maneiras (ou a sustentabilidade no vestir). Sabe, é um processo de sensibilização mesmo porque quando nos sentimos bonitos, nos empoderamos e isso também ser parte da peça sustentável.

  • Como é a produção de vocês?

Primeiro, a criação. Nós pensamos em conjunto as vontades que temos. Não trabalhamos com coleção, mas com séries. Então, chegamos a uma vontade comum e depois cada uma cria os seus modelos. Nos juntamos de novo e lapidamos o que vai mesmo.

A próxima etapa de modelagem e pilotagem é feita pela Santa Costura, uma oficina voltada para isso. E a costura, também é nessa pegada da economia solidária, a maior parte é para o Pano para Manga. Só as peças de alfaiataria vão para um alfaiate, o seu Zé, lá de Andradas, em Minas Gerais (cidade da Carol).

A única coisa que ainda não conseguimos incluir nesse todo foram os biquínis e maios. Mas já estamos pensando com as organizadoras de pensar uma oficina, maquinário, essas coisas.

  • O que podemos esperar em 2018?

Nós tínhamos o OFF, nossa roda de conversa e decidimos transformar em curso. Vai se chamar ‘Criatividade e sustentabilidade’. É para desmitificar o processo criativo e também como implementar uma economia circular.

O curso faremos em janeiro. Mas, em março, vamos transformá-lo em uma matéria para um curso com o Jardim Secreto – claro que aí não vamos poder nos aprofundar tanto. Vamos participar do Festival Tansforma e também fomos escolhidas como representantes do Fashion Revolution em São Paulo.

 No segundo semestre, faremos uma segunda edição do nosso curso, vai ter a BEFW e o Festival Transforma.

Agora, para o Carnaval, fizemos uma parceria com a Maria Tangerina na criação de pochetes para a folia.

  • Onde podemos encontra-las?

Em São Paulo, na Casa Jardim Secreto e, em Santos, na Brasilis Boemia. Mas, principalmente, no insta e online. Somos muito acessíveis.

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