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Francesca Córdova: do slow fashion ao Artwear

Por Nádia Mello

A Francesca Córdova é mais um presentinho da BEFW. Após alguns anos com o slow fashion, a Francesca resolveu repensar sua relação com a moda e o vestir. Ela percebeu que a roupa é uma forma de nos expressarmos e desenvolveu o conceito de ArtWear como forma do seu criar. A história dela, da marca e suas ideias, você confere na nossa entrevista! 😉

veste flores1) Qual a história da sua marca?

Minha marca teve início em 2004, em SP, sempre com o olhar para o feito à mão, o atemporal e muitos dos conceitos que hoje conhecemos como “slow design”. Em 2007, dei uma pausa para experimentar outras possibilidades dentro da Moda. Lecionei em cursos de graduação e pós graduação e prestei consultorias na área de criação e desenvolvimento de produtos. Em 2012, retomei a marca. Aos poucos, fui sentindo que o slow estava banalizado. Muitas marcas se apropriaram do termo (o que é normal na moda) sem de fato aplicar os conceitos. Senti a necessidade de ir além e buscar uma linguagem que conseguisse expressar minhas sensações sobre o contemporâneo. 

 

2) Como foi a transição do industrial para o atelier?

Meu processo nunca foi em grande escala, mas tinha uma preocupação com calendários e coleções, em seguir um cronograma tradicional. Com o tempo, percebi que era uma empresa pequena com cobranças de grande empresa. A própria expectativa do consumidor me fazia ir nessa direção. Eu tinha muitas ideias e projetos que não conseguia colocar em prática pela demanda do dia-a-dia e assim, nasceu a vontade de romper e mudar meu modelo de negócio. Este processo teve início em 2017 e aqui estamos!

 

1710140585_b3) Como você enxerga a moda? 

Para mim, é uma das maneiras mais poderosas que temos para nos expressarmos. Acredito que a Moda passa por um momento difícil, principalmente por conta dos excessos e da incapacidade de se comunicar com as pessoas. E a aposta na velocidade faz com que tudo perca o significado muito rapidamente. 

Meu trabalho é focado em comportamento, observo as pessoas, suas reações e faz muito tempo que vejo uma insatisfação com a moda e o vestir. 

A hora é de pensarmos em uma nova indústria, em novas formas de produção e consumo e estamos nesse caminho. 

 

4) O que é o Artwear?

Artwear foi o termo que encontrei que melhor representa o que quero transmitir. É a Arte como ponto de partida para criar e impactar as pessoas de alguma maneira. 

Depois de muitos anos (mesmo!) sendo minimalista, e da tendência normcore, enfim… achei que era hora de deixar tudo mais leve, menos austero. Sempre amei o conceito de Arte Decorativa para objetos e quis transferir essa ideia para as roupas: quando estética e função caminham juntas. As técnicas artesanais vieram de encontro com essa vontade. Então uni a beleza dos trabalhos manuais com a funcionalidade que a roupa deve ter. O crochê foi a primeira técnica escolhida por fazer parte da minha história e principalmente, porque me permite criar organicamente, sem receitas ou anotações o que torna cada peça única e autentica. 

 

 

1710140153_b5) Quais são seus maiores desafios atualmente dentro do seu cenário atual?

Estamos na contramão do senso comum. Por mais que ideias como não coleção (unseasonal), menores escalas de produção, estimular o local, consumo consciente, fabricação ética e sustentável, etc…sejam estimuladas, essa não é a realidade. Não discordo totalmente do modelo atual, mas acredito que ele precisa urgente de reformulações. Por outro lado, tem o consumidor, que na verdade, é quem realmente tem o poder de mudar. Se ele não acreditar, não adianta. São muitos pontos complexos e desafios, mas o importante é que essas questões estão sendo levantadas e discutidas.

 

6) Quais são seus objetivos com atelier?

 Meu objetivo é ampliar a divulgação do conceito de Artwear, não só para a moda, mas também para outros segmentos. Moda não é somente o que vestimos, mas tudo o que envolve comportamento. Estou em busca de parcerias com designers e marcas, para desenvolvimento de produtos e estudando novas formas de comercialização.

 

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7) O que podemos esperar em 2018?

Além de continuar com os planos para minha marca, para este ano preparei uma série de palestras sobre artwear, handmade, tendências e anti-tendências e quero disseminar essas ideias. Estou abrindo espaço para novos projetos e consultorias em criatividade e desenvolvimento de produto para marcas que desejam inserir esses valores em seu DNA.

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