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Euzaria: ser é mais que ter!

Por Nádia Mello

Conheci a Euzaria durante o Programa Unibes Lab – Capitalismo Consciente. O Kiko Kislansky, um dos sócios, que também é da Cazulo, no momento em que íamos apresentar o Desguarda Roupa num pitch surpresa, nos falou que tínhamos muito mais em comum do que imaginávamos (confesso que neste momento, fiquei um pouco assustada, rs). Após todos os grupos se apresentarem, eles nos colocam nossos erros e para ilustrar como seria um bom pitch, o Kiko nos chega para apresentar a Euzaria. (Ok, agora, fez todo sentido e, sim, tínhamos muito mais em comum do que imaginávamos). 

A marca surgiu com o intuito de tornar o mundo um lugar melhor, assim, para cada produto vendido uma ação social é realizada. Por exemplo, para cada óculos vendido, uma criança ganha uma visita ao oftalmologista. Atualmente, cada peça vendida é garantido um dia de aula para um jovem. 

Aproveitamos a semana e conversamos com o Kiko para conhecer um pouquinho mais da história da Euzaria, o porquê de escolherem a moda e misturar com ação social, valores e muito mais. 

Vem de Euzaria com a gente! 😉

Respeito– Como começou a Euzaria? De onde surgiu a ideia?

A Euzaria surgiu de um sonho de levar esperança e tornar o mundo mais humano. A gente queria encontrar uma forma de levar essa mensagem para as pessoas e entendeu que a moda era um meio para isso.

Por isso, criamos uma coleção de camisetas que levavam mensagens que tornavam o mundo mais humano e deixavam as pessoas mais esperançosas, acreditando mais na humanidade.

E foi dessa inquietação que surgiu a Euzaria. E a moda foi o meio para gente fazer isso acontecer.

– Quando foi isso?

Isso foi em 2015, bem no começo. Foi em fevereiro de 2015 a primeira feira que vendemos nossa coleção, com um modelo de negócio onde para cada peça vendida, uma era doada.

Nós estamos aí desde fevereiro de 2015.

ser mais que ter– É só você? Tem mais alguém e se sim, como começou a parceria?

Começou comigo e com Zé, que é um grande amigo, hoje sócio, e ele era mais a parte criativa, a parte de design, de criação de coleção. E eu a parte mais comercial, mais estratégica. Hoje, nós temos 14 pessoas na equipe. Nas duas lojas e no escritório.

– Como é a produção?

Ela é toda feita em Salvador com um estúdio de confecção, lá na Calçada. Feita com pessoas que precisam do trabalho. Então, fizemos questão de buscar fomentar a economia local e direcionar para locais que mais tem necessidade de girar, de fazer a coisa acontecer. E a malha vem de Santa Catarina, que é o polo do Brasil de malha de qualidade.

Mas estamos mudando nosso modelo porque estamos incomodados com a questão da produção do algodão. Embora já tenhamos coleções que são feitas com 50% com garrafa pet, queremos extinguir as coleções que são feitas 100% de algodão. Então, vamos abrir a Reuzaria, que é Euzaria moda upcycling. Vai ter uma arara na loja só disso, para trazer mais da sustentabilidade para o negócio. Porque começou muito como social, ter impacto social, mas pouco voltado para o ambiental.

E aos poucos, fomos nos despertando para isso, nos incomodando com isso. E, agora, a ideia é maximizar essa questão da consciência ecológica e ambiental na produção.

17757112_1382106865166272_8526569907760363810_n– Em quanto tempo sai uma coleção?

Uma coleção sai por volta de três meses. Desde que a gente pensa no conceito, até quando chega na arara, já nas lojas.

– E os jovens que vocês atingem, como vocês fazem o contato com elas?

São jovens que estudam nos projetos do Instituto Aliança que atende jovens protagonistas do Brasil inteiro. Então, basicamente, eles vão nas comunidades, entendem qual a demanda e criam projetos educacionais para suprir esta demanda.

O projeto é como se fosse uma escola mesmo. Mas, ao invés de aprender matemática, geografia, história, eles vão aprender aquilo que eles têm demanda para aprender como abuso sexual, drogas, violência, cultura da paz, comunicação. E o instituto cria projetos específicos para cada comunidade.

E o que a Euzaria faz: a cada produto vendido tem um valor ali que é destinado para contribuir com a garantia de uma aula desse jovem. Porque para que o jovem vá para uma aula do Instituto Aliança, ele tem que ter transporte, alimentação, estrutura física, professores, material didático. E, às vezes, eles não iam porque faltava algum desses recursos financeiros.

A Euzaria entra nesse meio termo, neste meio do caminho para poder não deixar que ele deixe de ir para esta aula. Somos esta plataforma de conexão entre os clientes que querem comprar e ajudar e o Instituto que precisa do dinheiro para garantir as aulas dos jovens. Estamos sempre acompanhando e monitorando de três em três meses o impacto e também indo presencialmente nas aulas para poder estar próximo deles nesta construção.

sonhar acreditar– Quais as maiores dificuldades da Euzaria?

As maiores dificuldades da Euzaria são a gestão financeira e o varejo, que é bem desafiador. Essa coisa de fazer algo que é meio que contra todo o sistema de varejo de moda, isto é muito desafiador porque você está brigando com um monte de tubarão ali. E, às vezes, tem pouca força para poder se mostrar e isso pode machucar um pouco o negócio. Mas, por outro lado, é o maior diferencial também.

Só é bem complicado falar de consciência em um mercado que é regido pelo fast fashion. O cliente ainda não tem consciência suficiente para poder entender que valor é diferente de preço.

Para conseguir fazer essa roda girar e chegar em quem realmente tem consciência, para vender o que temos para vender e trabalhar na conscientização daqueles que não tem consciência é um processo desafiador.

Então, essa questão do varejo e a questão financeira que não é a nossa maior expertise também é meio complicado.

Mas é isso. Esse mundo da moda, assim, onde é tudo muito rápido em que o produto de ontem já não é mais novidade e á precisa ser outro. Não concordamos com isso. E ter que viver dentro disso para mudar, é meio louco, então, machuca. Não sei se deu para entender muito bem, mas é mais ou menos isso.

...– Vocês têm algum outro plano além do upcycling?

Temos, a questão do upcycling é um foco grande agora do nosso planejamento estratégico, temos vontade de criar outras peças, expandir o mix de produtos. Nós estamos tendo muita demanda de calçados, porque não renovamos com o último fornecedor.

Queremos reutilizar calça jeans para fazer mais calças jeans. Tem muita coisa estamos pensando; tudo nessa linha do upcycling e também do e-commerce queremos expandir para mais lugares do Brasil. E também as franquias.

– Agora é só em Salvador?

Por enquanto, é só em Salvador. O e-commerce ele funciona, pode comprar se quiser, mas entendemos que ele ainda não reflete tudo que precisa refletir. Porque na loja você vive uma experiência muito foda. E no e-commerce, você não vive isso ainda. Então, não se conecta com a real essência do negócio porque nosso foco não é vender, é conectar com a essência.

bom dia desculpa– E qual é o objetivo da Euzaria? O que seria essa essência?

A essência é tornar o mundo mais humano. Esse é o nosso propósito, é mostrar as pessoas que o ser é mais que o ter. É isso o que a gente quer. E no nosso atendimento ali corpo-a-corpo você sai mais conectado com isso. E no e-commerce ainda não. Se fosse só pelo dinheiro, o e-commerce estaria bom. Mas não é só isso. Então, queremos focar nisso para poder através da internet gerar essa consciência porque o potencial de escala é maior. Então, acho que é isso.

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