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Desguarda Roupa: O vestir é uma linguagem

Para que vocês possam nos conhecer um pouquinho mais e entender no que acreditamos, entrevistaremos uns aos outros. A segunda entrevistada é com a Nádia, a responsável pelo Planejamento & Conteúdo e consultoria do Desguarda. Confira aqui o que ela contou pra gente:

O que te despertou o interesse em participar do Desguarda Roupa?

A identificação nas ideias sobre mundo e moda. E também a possibilidade de trabalho mais humanizado e horizontal. Quando conheci a Bruna levei uma peça de roupa para transformar e o que era para ser um atendimento rápido se transformou em uma tarde de conversas, principalmente, sobre a visão comum da moda como parte da cultura,  da sociedade e seu potencial transformador. Nos tornamos amigas e percebendo mais visões compartilhadas, alguns meses depois, ela me convida para entrar pro Desguarda e com a proposta de ser um coletivo porque buscava exatamente essa horizontalidade, respeito e troca entre as pessoas. Sem relações de poder uma sobre a outra.

Quais as maiores dificuldades encontradas nesse processo?

Como estamos começando, é a criação e trabalho dessa nova estrutura que buscamos e queremos.

Como enxerga o cenário atual da moda? E como acha que o Desguarda Roupa contribui com isso?

Vejo a moda em um cenário de transição. Talvez numa analogia simplista seria como a introdução de uma nova tendência. Primeiro, lança-se a ideia nos desfiles, começa a sair em matérias, revistas, redes sociais até agradar e ser incorporado no dia a dia pelo grande público. Por exemplo, a cintura alta, constatou-se uma mudança no corpo das mulheres (mais reto) e aí resolveram trazer de novo a cintura alta para modelar, mas foram alguns anos (quase a primeira década de 2000) insistindo até ser aceito de verdade. No início de 2000, era tido como um gosto duvidoso. Acredito que estamos nesse processo, embora ele tenha outras características porque é mais estrutural (repensar a obtenção de matéria-prima, formas de produção e trabalho e também hábitos de consumo) e com mais durabilidade (eu espero, rs).

Qual o seu objetivo com o projeto?

Sou um pouco utópica e meu objetivo É que a moda possa ser valorizada e sua importância reconhecida. Talvez ela seja a maior forma de expressão que temos, no entanto, ainda tem muitos ruídos. E acredito que muitos desses ruídos acontecem pelo pouco conhecimento dela, acho que se começarmos a entender um pouco mais dela e sua pluralidade talvez possamos nos entender mais e nossas relações entre nós e o mundo. Então, meu objetivo é tentar levar informação e conhecimento para se construir isso.

Como vê o futuro da moda?

Vejo ele meio dividido entre uma moda mais tecnológica e uma mais artesanal. Talvez em algum momento esses dois movimentos possam se juntar, mas atualmente, são os mais fortes surgindo.

Como vê o futuro do Desguarda Roupa?

Cara, o meu desejo é que o Desguarda se torne um lugar de fomentação de projetos, como uma rede que integre vários projetos e diferentes meios. E acho lindo esse potencial (gosto dessa palavra) porque permite a conversa com outras e diversas áreas, tal como é a moda. Um pouco como o que eu vejo o que a moda é.

 

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