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Aurora Moda Gentil

Por Nádia de Mello

21587127_1597502956979595_4509074667258905008_oNa primeira semana de moda sustentável, a BEFW, conhecemos muitas marcas legais. São elas que iremos apresentar a vocês nas próximas semanas. A Aurora Moda Gentil utiliza a mão de obra afetiva para a democratização da moda.

As sócias Érica Dias e Carolina Alves buscam que a marca seja um vetor de multiplicação de conhecimento a partir do resgate do trabalho manual e de um mercado mais justo e sustentável.

Vem conhecer mais dessa história na nossa entrevista com a Érica! 😉

  • Como surgiu a marca?

Comecei fazendo psicologia, mas não gostei, não era o que me via fazendo. Mudei para a faculdade de moda e embora tenha me encontrado, tinha dúvidas de que forma faria bem e não ser só mais uma marca no mercado.

Quando a minha avó faleceu, ela deixou um blusão, em tricot, pela metade que estava fazendo para minha prima. E nesse momento, que me dei conta de que era com isso que queria trabalhar e fazer diferente: mão-de-obra afetiva. Porque nem sempre damos o valor certo, eu mesma não dava.

A matéria-prima mantive a lã como principal, por ser natural, procurando um viés de uma cadeia mais justa.

Meu TCC foi exatamente a marca, com dois pilares: produtos feitos à mão de lã e também garrafa pet.

  • São duas sócias na marca. Quando e como foi a entrada da Carol?

Por três anos, trabalhei sozinha. Claro, tinha o apoio da família, em especial, da minha mãe. Mas sentia falta de uma visão de mercado para a parte de divulgação e marketing – por um tempo, terceirizei.

A Carol é minha amiga de colégio. Ela fez RI (Relações Internacionais) e, com a experiência que ela tinha, percebi que ela poderia agregar para marca e a convidei. Em 2017, ela assumiu o marketing da marca.

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  • Como é a produção?

Nós buscamos fornecedores legais, que trabalham da forma mais justa e sustentável possível atualmente. A lã é só uma vez por ano que recebemos o material porque o pelo é retirado apenas quando se precisa mesmo.

De garrafa PET foi um pouco mais complicado de achar, optamos pelos pequenos e empresas familiares.

Buscamos as novidades através das cores e texturas.

Um dos maiores desafios é mostrar ao consumidor nossa forma única e exclusiva de trabalho. A nossa mão-de-obra é composta por 12 artesãs e elas tem um ritmo próprio. A maioria é do interior do Rio Grande do Sul, é outra forma de vida. Em geral, são uns dez dias para a peça ficar pronta. É um exercício de paciência trabalhar com slow fashion.

  • Por que a decisão de trabalhar com mão de obra afetiva?

Porque elas fazem por amor e percebi o quanto essa arte andava esquecida. Embora, esteja voltando o uso do tricô, crochê (dessas artes manuais), quando comecei não havia espaço mais no mercado. As pessoas não tinham oportunidade em aprender como produzir. É preciso valorizar todo esse trabalho.

  • O que podemos esperar para 2018?

Nós vamos expandir o setor de decoração. O lifestyle está presente também na casa. Vamos trabalhar com coisas para bebês, com matéria-prima natural e orgânica, sem intervenção de plástico para gerar mais qualidade aos pequenos. Nós fizemos uma parceria com a Associação de produtores de lã e será nossa grande aposta.

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  • Onde podemos encontrar a marca?

No portal Ecoera, temos nosso site e em algumas lojas de Porto Alegre, como aa Autoral. Em breve, estaremos em ateliês de São Paulo.

  • O que vocês querem com a Aurora Moda Gentil?

Nós queremos mais propósito na vida das pessoas. Um mercado mais justo, ético e transparente.

Acreditamos na mão de obra afetiva como um vetor de conhecimento, resgate de carinho, empoderamento feminino e evolução. Ele já vem com a assinatura e história de quem o fez. Queremos por meio disso, mostrar o fazer bem e engajar as pessoas conosco, nossas artesãs, valores e histórias.

 

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